Publicado por: Djalma Santos | 26 de setembro de 2010

Alburno e cerne

Nas plantas arbóreas, os vasos lenhosos recentemente produzidos pelo câmbio, estando situados mais próximo dele e funcionalmente ativos (transportando seiva bruta das raízes para as folhas), formam o alburno (figura abaixo). Os mais antigos e mais distantes do câmbio, desprovidos de atividade condutora, formam o cerne e passam a exercer uma função mecânica ou de sustentação.

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No cerne, todos os elementos do lenho, inclusive as células do parênquima lenhoso, são mortos. Nessa região, ocorre uma intensa impregnação das células por diversas substâncias, como antissépticos, taninos, pigmentos, óleos, resinas, gomas e lignina. Essas substâncias evitam a decomposição dos tecidos mortos, escurece o cerne e o torna, por vezes, produtor de aromas característicos para cada espécie vegetal. Em face de sua elevada resistência, o cerne é conhecido como a “parte dura da madeira”, sendo, por isso, bastante utilizado pela indústria madereira na construção civil, bem como na produção de móveis. No que se refere à espessura do cerne e do alburno, constata-se que varia de acordo com a planta considerada. Observando-se a madeira em cortes transversais, percebe-se a presença de zonas concêntricas sucessivas, em seu xilema, conhecidas como anéis de crescimento (figura a seguir) e resultantes da variação de atividade do câmbio vascular em resposta a alterações climáticas. Sua visibilidade se deve a uma grande diferença entre os vasos produzidos no final de um ciclo de atividade (xilema tardio ou estival) e os produzidos no início do ciclo seguinte (xilema inicial ou primaveril), depois de uma fase de repouso. O tardio é constituído por vasos xilemáticos mais finos e com paredes mais grossas. O inicial, por outro lado, apresenta vasos de grosso calibre e paredes relativamente mais finas.

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Esses anéis são especialmente mais evidentes em madeiras originárias de regiões temperadas, onde as estações do ano sendo bem-marcadas e levam a que cada anel seja conhecido como anel anual. Dessa forma, pode-se, via de regra, estimar a idade da planta contando-se o número de anéis de crescimento. Mudanças bruscas na disponilibilidade de água ou de outros fatores ambientais podem, entretanto, ser responsáveis pela produção de mais de um anel de crescimento num mesmo ano, formando os falsos anéis de crescimento, levando a que a estimativa da idade não seja acurada se estiverem incluídos na contagem os referidos falsos anéis. Em função de fatores ambientais como a luminosidade, a temperatura, a chuva e a disponibilidade de água do solo, a espessura de um anel pode variar muito de um ano para outro. Nesse contexto, a referida espessura é um indicador relativamente preciso da quantidade de chuvas de um determinado ano. Em condições favoráveis (durante períodos de chuvas adequados), os anéis de crescimento são maiores, e sob condições desfavoráveis, são menores. Quando o xilema se torna não funcional, ocorre, em um grande número de plantas, uma invaginação de células parenquimatosas através dos poros dos vasos lenhosos, chamadas tilos (figura abaixo), que podem muitas vezes ocupar totalmente o lúmen (espaço circundado pela parede da célula) do vaso, obstruindo-o. Os tilos podem ser induzidos a se formar, prematuramente, por agentes patogênicos, servindo como um mecanismo de defesa, que, bloqueando os vasos lenhosos, inibe a difusão dos patógenos, via xilema, através da planta.

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FIXANDO

01. (UFJF) A figura abaixo ilustra o corte transversal do tronco de uma espécie arbórea, destacando alguns tecidos e algumas regiões:

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Com base nos aspectos histológicos presentes na figura, é correto afirmar que:

a) na casca dessa árvore, visualizam-se seus anéis de crescimento.

b) os anéis de crescimento correspondem às linhas longitudinais observadas na periderme.

c) os anéis de crescimento presentes em 1 e 2 são resultado de ação de 3 devido à influência sazonal.

d) nas espécies arbóreas brasileiras, a medula é sempre maciça, como observado em 1, e apresenta os anéis de crescimento destacados.

e) 1, 2, 3, 4 e 5 correspondem aos anéis de crescimento dessa espécie vegetal.

02. (UFRS) Entre os tecidos vegetais, a madeira desempenhou um papel decisivo na história da humanidade. Sob o ponto de vista anatômico, a madeira corresponde ao

a) xilema secundário.

b) floema primário.

c) súber.

d) córtex.

e) câmbio vascular.

03. (PUC-MG) Células vegetais do parênquima podem formar expansões citoplasmáticas para dentro dos vasos lenhosos velhos, causando a obstrução deles. Tais projeções são:

a) placas crivadas.

b) traqueídes.

c) tilos.

d) calose.

e) pontuações areoladas.

04. (UEL) A peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron), símbolo presente no logotipo da Universidade Estadual de Londrina, foi intensamente explorada pela construção civil no início do povoamento de Londrina, devido à rigidez e à qualidade da madeira. Com relação à constituição do tronco de uma árvore, considere as afirmativas a seguir.

I. Os três tecidos mais periféricos do tronco de uma árvore são: câmbio, xilema e casca.

II. O tecido encontrado no centro do tronco é formado por vasos lenhosos mais antigos.

III. O tecido adjacente ao câmbio vascular apresenta vasos lenhosos ainda em atividade.

IV. O alburno, diferentemente do cerne, é duro e resistente ao ataque de decompositores.

Estão corretas apenas as afirmativas:

a) I e IV.

b) II e III.

c) II e IV.

d) I, II e III.

e) I, III e IV.

05. (UFJF) À medida que as árvores crescem e se tornam mais velhas, a região interna dos caules forma o lenho. Nessa região, o alburno e o cerne correspondem, respectivamente, ao:

a) xilema funcional e floema não funcional.

b) floema não funcional e xilema não funcional.

c) xilema funcional e xilema não funcional.

d) xilema não funcional e floema funcional.

06.(PUC-MG) A figura abaixo mostra os anéis anuais produzidos pelo câmbio das gimnospermas. São formados por um tecido condutor constituído por células mortas que é denominado de:

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a) esclerênquima.

b) colênquima.

c) floema.

d) xilema.

e) parênquima.

07. (VUNESP) À medida que algumas plantas envelhecem, uma parte de seu lenho deixa de funcionar como tecido condutor, ficando composta de células mortas, podendo estar impregnada de substâncias aromáticas, corantes e antissépticas. Essa descrição corresponde a(o):

a) periderme.

b) súber.

c) cerne.

d) alburno.

e) tronco.

08. (UNIRIO) No esquema a seguir, podemos observar a disposição dos vasos condutores no caule de uma dicotiledônea, destacados com 1, 2 e 3 e que representam, respectivamente,

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a) xilema, floema e câmbio.

b) xilema, câmbio e floema.

c) tubos, xilema e floema.

d) epiderme, floema e câmbio.

e) epiderme, endoderma e xilema.

09. (COVEST)Faça a correlação entre as partes de um caule, numeradas de 1 a 4, na figura abaixo, com suas respectivas denominações e funções.

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(    ) Xilema – transporte de seiva bruta

(    ) Câmbio – crescimento secundário

(    ) Súber – proteção e isolamento térmico

(    ) Floema – transporte de seiva elaborada

A sequência correta é:

a) 1, 2, 3 e 4.

b) 2, 3, 4 e 1.

c) 1, 3, 4 e 2.

d) 2, 4, 3 e 1.

e) 4, 3, 1 e 2.

10. (FUVEST) O xilema ou lenho é responsável:

a) pela absorção de água e sais minerais.

b) pela condução de substâncias orgânicas liberadas pelo órgão de reserva.

c) pelo transporte e distribuição de água e nutrientes minerais.

d) pelo transporte e distribuição de alimentos orgânicos.

e) pelo transporte de água e alimentos orgânicos sintetizados na folha.

GABARITO

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Responses

  1. Professor, gostaria se possivel uma materia sobre peroxissomos.

    Muito Obrigado,
    ps: adorei seu blog esta me ajudando muito a estudar.

    Thiago Rached

    • Caro Thiago
      Publicaremos, provavelmente no mês vindouro, uma matéria sobre peroxissomos.
      Um abraço
      Djalma Santos


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