Publicado por: Djalma Santos | 19 de setembro de 2010

Tecido epitelial glandular

O tecido epitelial glandular responde pela produção de secreções de várias substâncias, que são liberadas para o meio extracelular. Nas células do epitélio glandular, o retículo endoplasmático rugoso (ou granular) e o complexo de Golgi (complexo golgiense) são bem-desenvolvidos. Os tecidos glandulares são, em última análise, estruturas epiteliais com capacidade secretora.

TIPOS DE GLÂNDULAS

I. De acordo com o número de células

Ia. Unicelulares: formadas por uma única célula. É o caso das células caliciformes (em forma de cálice), como mostra o esquema abaixo, presentes, por exemplo, na mucosa nasal, que secretam muco, uma substância viscosa destinada a reter as impurezas aspiradas.

01.aspi

Ib. Pluricelulares: a maioria das glândulas, entretanto, é pluricelular  e estão sempre envolvidas por tecido conjuntivo, recebendo dele nutrientes e oxigênio. De acordo com a forma da porção secretora (região da glândula na qual se encontram as células secretoras), as glândulas podem ser classificadas em tubulosas, alveolares (ou acinosas) e túbulos-acinosas (ou túbulos-alveolares).

II. De acordo com o modo de eliminação da secreção

IIa. Merócrinas ou écrinas: são aquelas em que as células secretoras, ao eliminarem seus produtos, permanecem intactas com todo o seu citoplasma, podendo reiniciar o ciclo secretor. Suas células eliminam exclusivamente os produtos de secreção (esquema a seguir). Como exemplos, citamos as glândulas sudoríparas, as salivares, as gástricas, as lacrimais e o pâncreas exócrino.

02.mero

IIb. Apócrinas ou holomerócrinas: são aquelas cujas células secretoras perdem parte de seu citoplasma, que se mistura com a secreção elaborada. Para reiniciar a secreção, é necessário que haja regeneração da parte perdida (esquema abaixo). Temos, como exemplos, as glândulas mamárias e as glândulas sudoríparas modificadas, existentes nas axilas e na região perianal.

03.apo

IIc. Holócrinas: nessas glândulas, a célula secretora acumula os produtos no citoplasma; em seguida, morre e se desintegra, constituindo, ela própria, a secreção (esquema a seguir). Dessa forma, a secreção eliminada é constituída pelas próprias células secretoras, cujo acúmulo de secreção determina sua morte. Como exemplos, citamos as glândulas sebáceas de nossa pele, que estão sempre se desintegrando e se regenerando.

04.holo

III. De acordo com o local de secreção

IIIa. Exócrinas: apresentam duto excretor e lançam sua secreção no exterior do corpo ou no interior de uma cavidade, que, por sua vez, se comunica com o meio externo (esquema abaixo). Como exemplos, citamos: glândulas mamárias, sudoríparas, salivares, sebáceas, lacrimais, gástricas e intestinais. As glândulas exócrinas podem ser simples ou compostas. As simples apresentam duto não ramificado (glândulas sudoríparas), enquanto as compostas apresentam ramificações em seus dutos (glândulas parótidas).

05.parot

IIIb. Endócrinas: também conhecidas como glândulas de secreção interna, são desprovidas de duto excretor (canal de saída), como mostra o esquema a seguir.  Sua secreção, denominada hormônio, é absorvida pelo sangue que circula pelos capilares que irrigam o tecido glandular, sendo lançada, portanto, diretamente na corrente sanguínea. Durante sua formação, o canal que a ligava ao epitélio de origem regride e desaparece. Citamos como exemplos a hipófise, a tireoide, as paratireoides e as adrenais.

06.adre

IIIc. Anfícrinas: apresentam, simultaneamente, funções exócrina e endócrina. O pâncreas constitui um exemplo clássico de glândula anfícrina, secretando insulina, glucagon e somatostatina, que são hormônios (secreção endócrina) relacionados com o controle do metabolismo da glicose e do suco pancreático, que é lançado no intestino, com função digestiva (secreção exócrina).

IV. De acordo com a natureza química da secreção

IVa. Serosas: são aquelas que elaboram uma secreção clara e aquosa, rica em proteínas, que podem ser enzimas. Citamos, como exemplos, as glândulas gástricas, o pâncreas e as glândulas salivares.

IVa. Mucosas: produzem uma secreção viscosa (muco), de natureza glicoproteica. Temos, como exemplo, a glândula caliciforme da traqueia.

ORIGEM DAS GLÂNDULAS

As glândulas têm origem, ainda na fase embrionária, a partir de uma superfície epitelial que se multiplica, formando um cordão celular que se aprofunda nos tecidos mais internos (esquema abaixo). No caso das glândulas exócrinas, a parte mais profunda desse cordão se desenvolve e assume a função secretora. O restante do cordão celular forma um tubo (ou duto), através do qual a secreção flui para fora da glândula. Nesse contexto, as glândulas sudoríparas, sebáceas e mamárias são glândulas exócrinas que se abrem na pele, e as salivares e o fígado, entre outras, são glândulas exócrinas que lançam suas secreções no tubo digestivo. No caso das endócrinas, a parte mais profunda do cordão celular se isola da camada superficial, perdendo comunicação com o exterior. Nesse caso, as secreções, chamadas hormônios, são eliminadas diretamente no interior de vasos sanguíneos, localizados na própria glândula ou em torno dela.

07.dela

FIXANDO

01. (UFV) As glândulas, que podem ser unicelulares ou multicelulares, são especializadas em produzir substâncias necessárias aos processos vitais do organismo. Com relação a essas estruturas, é incorreto afirmar que:

a) uma mesma glândula endócrina pode secretar mais de um tipo de substância.

b) cada secreção de uma determinada glândula endócrina estimula uma resposta específica em um “órgão-alvo”.

c) todas as substâncias secretadas pelas glândulas são denominadas hormônios.

d) todas as glândulas exócrinas multicelulares apresentam ductos para eliminar suas secreções.

e) todas as glândulas são formadas a partir da proliferação de célula epiteliais.

02. (PUC-MG) Quanto à origem da secreção, uma glândula será classificada como holócrina quando:

a) ela apenas elimina seus produtos de secreção, não alterando sua forma e seu volume.

b) perde parte do seu protoplasma, tendo que se regenerar para reiniciar o processo de secreção.

c) a célula, como um todo, acumula a secreção e se desintegra.

d) a célula estiver em plena atividade secretora.

e) a atividade secretora da célula estiver encerrada.

03. (UTFPR) Secreções merócrinas e holócrinas ocorrem em tecidos:

a) conjuntivos.

b) cartilaginosos.

c) epiteliais.

d) musculares.

e) nervosos.

04. (UFJF) O tecido epitelial glandular é formado por células especializadas na secreção de determinadas substâncias. Em relação a esse tecido, analise as afirmações a seguir:

I. Uma única glândula endócrina pode produzir mais de um tipo de hormônio.

II. O pâncreas é um exemplo de glândula anfícrina, que apresenta regiões endócrinas e exócrinas.

III. As secreções de glândulas exócrinas são denominadas hormônios.

IV. Os testículos são glândulas exócrinas, enquanto os ovários são glândulas endócrinas.

Indique a alternativa correta:

a) somente I e II são verdadeiras.

b) somente I e III são verdadeiras.

c) somente I, II e IV são verdadeiras.

d) somente II e III são verdadeiras.

e) somente II, III e IV são verdadeiras.

05. (UFTPR) O tecido epitelial glandular é formado por glândulas que produzem e secretam substâncias no sangue ou em cavidades ou superfícies do corpo. A hipófise, que lança seus hormônios no sangue, e as glândulas salivares, que lançam suas secreções na boca, são, respectivamente, glândulas:

a) exócrinas, ambas.

b) endócrinas, ambas.

c) exócrina e endócrina.

d) endócrina e exócrina.

e) de função mista, ambas.

06. (UDESC) Assinale a alternativa incorreta a respeito do tecido epitelial glandular.

a) A paratireoide é um exemplo de glândula endócrina. Esse tipo de glândula não possui uma comunicação com o epitélio por meio de um ducto ou canal. A secreção dessa glândula é liberada para os vasos sanguíneos.

b) As glândulas são agrupamentos de células especializadas na produção de secreções.

c) Glândulas sudoríparas são exemplos de glândula exócrina. Esse tipo de glândula mantém uma comunicação com o epitélio por meio de um ducto ou canal, que permite a liberação da secreção.

d) A tireoide é um exemplo de glândula endócrina. Esse tipo de glândula não possui uma comunicação com o epitélio por meio de um ducto ou canal. A secreção dessa glândula é liberada para os vasos sanguíneos.

e) A hipófise é uma glândula mista, ou seja, ela apresenta uma parte endócrina que libera o hormônio antidiurético, e outra exócrina que libera oxitocina (ocitocina).

07. (ULBRA) As glândulas têm sua origem em grupos celulares que proliferam a partir do tecido:

a) epitelial.

b) conjuntivo.

c) cartilaginoso.

d) ósseo.

e) nervoso.

08. (UFMS) Observe a figura abaixo, que representa um tecido epitelial glandular, a seguir analise as proposições e assinale a(s) correta(s).

08.T

01. A glândula salivar é um exemplo de glândula como ilustrado em C.

02. Para formação das glândulas pelo tecido epitelial, ocorre a proliferação e a penetração das células do tecido epitelial no tecido conjuntivo, como ilustrado em A.

04. O produto de secreção da glândula, ilustrado em C, é liberado diretamente na circulação sanguínea.

08. A tireoide é um exemplo de glândula como ilustrado em B.

16. O pâncreas, por apresentar atividade endócrina e exócrina, é considerado uma glândula anfícrina.

32. As glândulas exócrinas mantêm sua conexão com o epitélio que as originou, e seus produtos são eliminados para o meio exterior pelo ducto até a superfície do corpo ou até uma cavidade interna de um órgão, como ilustrado em B.

09. (UFF) As glândulas multicelulares se originam a partir da proliferação celular de um tecido e, após a sua formação, ficam imersas em outro tecido, recebendo nutrientes e oxigênio. De acordo com o tipo de secreção que é produzido, elas são classificadas basicamente em endócrinas e exócrinas. Há, entretanto, glândulas que possuem duas partes, uma exócrina e outra endócrina. Com base no esquema abaixo, comparativo da formação de dois tipos de glândulas, assinale a alternativa que identifica, respectivamente, o tecido de onde as glândulas se originam, o tecido onde elas ficam imersas, a glândula I, a glândula II e um exemplo de uma glândula exócrina.

09.T

a) Tecido epitelial, tecido conjuntivo, glândula exócrina, glândula endócrina e glândula salivar.

b) Tecido conjuntivo, tecido epitelial, glândula exócrina, glândula endócrina e tireoide.

c) Tecido epitelial, tecido conjuntivo, glândula endócrina, glândula exócrina e pâncreas.

d) Tecido conjuntivo simples, tecido epitelial, glândula endócrina, glândula exócrina e paratireoide.

e) Tecido conjuntivo frouxo, tecido epitelial, glândula endócrina, glândula exócrina e glândula lacrimal.

10. (UNIRIO) O esquema abaixo representa os cortes transversais de uma glândula exócrina e outra endócrina.

10.T

Assinale a alternativa cuja numeração indica o duto e o capilar sanguíneo, respectivamente:

a) 2 e 3.

b) 1 e 4.

c) 1 e 5.

d)3 e 4.

e) 2 e 5.

 

GABARITO

 

01

02 03 04 05 06 07 08 09

10

C

C C A D E A 02, 04, 16, 32 A

C

 


Responses

  1. Professor!
    Adorei o seu blog!
    ficou super explicado, parabéns.

  2. Professor… seu blog é muito bom e tem me ajudado bastante. Continue escrevendo assim… tudo é bem explicado e elaborado! Parabéns!

  3. Djalma seu blog é muito bom, tudo explicadinho e super didático. Parabéns! É muito bom saber que tem pessoas que se preocupam com nós estudantes e com o futuro desse país. Sucesso!! Abraços

  4. muito obrigada (:

  5. estudante de nutrição, excelente explicação, estou fazendo um trabalho sobre glândulas do tecido epitelial para a parte escrita vou buscar em livros, mas minha apresentação sairá toda daqui.

    Abraço e sucesso!

  6. Boa tarde.
    Diretamente de Portugal quero agradecer a excelente explicação sobre as glândulas. E excelente teste. Adorei as perguntas. Após a explicação consegui acertar em todas!
    Parabéns e mto Obrigada!


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