Publicado por: Djalma Santos | 21 de agosto de 2014

Retículo endoplasmático

Sistema de membranas duplas, lipoproteicas, presentes em células eucarióticas, que se comunica entre si, formando uma complexa rede espalhada por toda a célula e que têm as funções de armazenar, transportar e sintetizar substâncias. A organização dessas membranas varia bastante no interior de uma mesma célula, podendo formar vesículas, cisternas (sáculos achatados), vacúolos e túbulos membranosos, que comunicam as diversas cisternas entre si. Cerca de 50% a 60% do total das membranas celulares fazem parte do retículo endoplasmático. De um modo geral, o retículo é pouco desenvolvido em células com pequena atividade metabólica, como as adiposas e muito desenvolvido nas células dotadas de grande atividade metabólica, como os fibroblastos e os osteoblastos. Analisando-se a estrutura do retículo endoplasmático, percebe-se uma comunicação de suas membranas com a plasmalema (membrana plasmática) e com a carioteca (membrana nuclear). O retículo endoplasmático foi descoberto em 1945 pelo citologista belga Albert Claude.

São conhecidos dois “tipos” de retículo endoplasmático (figura abaixo): o liso (REL), também denominado retículo endoplasmático não granuloso ou agranular e o rugoso (RER), também conhecido como retículo endoplasmático granuloso ou retículo endoplasmático granular (REG) ou ergastoplasma. O liso tem como principal característica estrutural ser desprovido de ribossomos, sendo bem-desenvolvido em células de certos órgãos nos quais ocorre síntese de hormônios esteroides, como as gônadas e o córtex adrenal. Ele é muito desenvolvido, também, nas células do fígado, órgão que possui, entre outras, a função de armazenar glicose sob a forma de glicogênio. No fígado, o não granuloso participa da remoção do grupo fosfato presente nas glicoses, resultantes da degradação do glicogênio, tornando possível a passagem desses monossacarídeos para a corrente sanguínea. O retículo granular, que possui ribossomos, “aderido” ao lado externo da sua membrana, é bem desenvolvido em células secretoras, como as células dos ácinos pancreáticos, que secretam as enzimas digestivas contidas no suco pancreático e nas células caliciformes da parede do intestino, que secretam um muco lubrificante e protetor da parede interna desse órgão. Devido à espessura de suas membranas, que está abaixo do poder de resolução do microscópio óptico, o retículo endoplasmático só é visível, via de regra, com o microscópio eletrônico. No caso do rugoso, em particular, é possível, evidenciar sua presença ao microscópio óptico, desde que as células sejam coradas com corantes básicos. Essas porções coradas, chamadas, inicialmente, regiões basófilas do citoplasma e, posteriormente, ergastoplasma, são, nos neurônios, denominadas corpúsculo de Nissl.

RETÍCULO

I. RETÍCULO ENDOPLASMÁTICO LISO: relacionamos a seguir as principais funções do retículo endoplasmático liso.

Ia. Transporte de substâncias: graças à movimentação de suas membranas e a sua comunicação com a carioteca e a plasmalema, o retículo liso promove não apenas o transporte de substâncias dentro da célula, mas também desta para o meio externo. Essa função também é exercida pelo retículo endoplasmático rugoso.

Ib. Armazenamento de substâncias/regulação da pressão osmótica: o retículo liso, a exemplo do rugoso, armazena substâncias diversas no interior de suas cavidades. Uma vez que as substâncias armazenadas podem determinar alteração na concentração do suco celular, o retículo endoplasmático está, de certa forma, associado com a regulação da pressão osmótica.

Ic. Síntese de lipídios: o retículo liso é responsável pela síntese de praticamente todos os lipídios que compõem as membranas celulares, incluindo os fosfolipídios e o “colesterol”. Em alguns casos, os lipídios das membranas são inicialmente produzidos no retículo liso, sendo em seguida completados no complexo golgiense. Esse é o caso, por exemplo, da esfingomielina e dos glicolipídios, cujas partes glicídicas são produzidas com o auxílio do complexo de Golgi. As enzimas que sintetizam os fosfolipídios são intrínsecas à membrana do retículo liso, com suas partes ativas fazendo saliência na face citoplasmática da membrana. No retículo liso, também são produzidos esteroides. Em função disso, as células dos testículos e dos ovários, produtoras de hormônios sexuais lipídicos, da categoria dos esteroides, apresentam retículo endoplasmático agranular bastante desenvolvido. As moléculas de fosfolipídios, citadas acima, são distribuídas, por meio de vesículas transportadoras, do retículo liso para as membranas do complexo de Golgi, para as membranas dos lisossomos e para a plasmalema. No caso dos fosfolipídios que constituirão as membranas das mitocôndrias, dos plastos e dos peroxissomos, o transporte é feito através de proteínas presentes no citossol (proteínas citossólicas).

Id. Desintoxicação do organismo: o organismo possui a capacidade de converter substâncias tóxicas (álcool, herbicidas, conservantes, corantes alimentares, medicamentos, etc.) em substâncias inócuas ou de fácil eliminação. Essa atividade neutralizadora ocorre principalmente no fígado, graças a enzimas do retículo agranular. Para se ter uma ideia, a ingestão de barbitúricos, que tem efeito hipnótico e depressor do sistema nervoso central, promove acentuado aumento na quantidade de retículo endoplasmático liso nas células hepáticas. Embora muitas células possuam pouco retículo liso, esse organoide é abundante nos hepatócitos.

Ie. Metabolização do glicogênio: esta atividade do retículo liso consiste na obtenção de glicose a partir do glicogênio, processo denominado glicogenólise. Em determinadas células, como as do fígado e as dos músculos estriados, podem ocorrer grandes depósitos de glicogênio. No fígado, a glicogenólise tem papel importante na manutenção do nível de glicose no sangue (glicemia), fornecendo esse monossacarídeo para outras células do organismo. A glicose resultante da glicogenólise muscular, por outro lado, é quase toda utilizada como fonte de energia para a contração muscular, não contribuindo, de modo significativo, para modificar a glicemia.

If. Controle da atividade muscular: sendo o principal reservatório de Ca++ do citoplasma, o retículo endoplasmático liso exerce importante papel na contração muscular. Quando as células musculares estriadas são estimuladas pelos neurotransmissores liberados nas placas motoras, o Ca++ sai do retículo liso pelos canais de cálcio e promove a contração das miofibrilas, levando à contração muscular. Cessado o estímulo, os íons Ca++ são trazidos de volta às cisternas do retículo liso, por processo ativo. O Ca++ provoca grandes forças de atração entre a actina e a miosina, fundamental para a contração muscular.

II. RETÍCULO ENDOPLASMÁTICO RUGOSO

Além de funções como transporte, armazenamento, controle da pressão osmótica, suporte mecânico (juntamente com os microtúbulos e os microfilamentos hialoplasmáticos) e aumento da superfície celular em relação ao volume, também desempenhadas pelo retículo liso, o rugoso atua na síntese proteica (ver “SÍNTESE PROTEICA”, matéria publicada neste blog em 16/07/2014).  Essa função específica do retículo granular se deve à presença de ribossomos “aderidos” a sua membrana. As proteínas são transferidas para o interior das cisternas, onde são processadas e acumuladas, sendo em seguida transportadas, no interior de vesículas, para seus locais de destino. A maioria das proteínas sintetizadas nesse retículo é “exportada”, indo exercer suas funções fora da célula. O retículo endoplasmático não pode ser isolado intacto das células. Os fragmentos obtidos a partir do retículo endoplasmático rugoso são denominados microssomos. Os microssomos possuem ribossomos nas suas paredes externas e são dotados da capacidade de produzir proteínas.

 


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