Publicado por: Djalma Santos | 22 de fevereiro de 2015

COMPLEXO GOLGIENSE

Também denominado complexo de Golgi ou sistema golgiense, desprovido de ribossomos, consiste de sáculos membranosos, achatados e empilhados, de cuja periferia se originam vesículas, por brotamento (figura abaixo). Cada uma dessas pilhas, denominada dictiossomo, golgiossomo ou sáculo lameliforme, é semelhante em células animais e vegetais. Lembramos que nestas últimas, esses sáculos ficam espalhados pelo citoplasma, não formando um complexo, como ocorre nas células animais, nas quais, eles se concentram, via de regra, próximo ao núcleo. Nesses sáculos são formados vários dos polissacarídeos celulares, a exemplo da hemicelulose (presente na parede das células vegetais) e da pectina (encontrada na lamela média dessas células). O complexo de golgiense atua na modificação, na concentração e no “empacotamento”, em pequenas vesículas membranosas, de algumas substâncias produzidas no retículo endoplasmático rugoso. As vesículas que brotam dos golgiossomos têm três destinos principais: (a) formar os lisossomos, que permanecem no interior da célula, atuando na digestão intracelular; (b) fundir-se à membrana plasmática, incorporando, nessa membrana, as proteínas contidas no seu interior. Deve aqui ser ressaltado que, na membrana plasmática, também existem proteínas sintetizadas nos polissomos do citosol; (c) fundir-se à membrana plasmática, lançando seus conteúdos para fora da célula, como no caso das enzimas digestivas, por exemplo, sintetizadas e eliminadas por células do sistema digestório.

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No que concerne à estrutura, o sistema golgiense apresenta-se formado por pilhas de seis a vinte sáculos achatados (cisternas ou sáculos de Golgi), limitados por membranas. Das bordas desses sáculos, brotam vesículas que são liberadas para as proximidades. Essas vesículas, de acordo com a função realizada pela célula em que se encontram, contêm, em seu interior, diferentes compostos, como hormônios e secreções outras. O complexo golgiense é estrutural e bioquimicamente polarizado, apresentando duas faces distintas (figura a seguir): a cis (formativa ou proximal) e a trans (de maturação ou distal). A face cis fica voltada para o retículo endoplasmático rugoso, possui membranas mais delgadas que a trans, sendo a face através da qual as proteínas sintetizadas por esse retículo penetram no complexo golgiense. A trans, por seu turno, é voltada para a membrana plasmática, apresenta membranas mais espessas, sendo a face através da qual brotam as vesículas secretoras e os lisossomos.

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Entre as funções do complexo de Golgi, destacamos:

I. Secreção celular: várias substâncias que passam pelo complexo golgiense deixam a célula e atuam em diferentes regiões do organismo animal. É o caso, por exemplo, das enzimas digestivas (secreção exócrina) e de outras substâncias proteica, como hormônios (secreção endócrina) e muco (substância lubrificante, processada e eliminada pelo aparelho de Golgi, que age no interior do nosso corpo). Essa função também ocorre nas células vegetais, sendo através desse organoide que são secretadas as glicoproteínas e alguns polissacarídeos, como a hemicelulose e a pectina, mencionados acima. A figura abaixo mostra uma vesícula de secreção.

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II. Formação do acrossomo (figura a seguir): estrutura situada na “cabeça” do espermatozoide que contém uma grande quantidade de enzimas digestivas, cuja função de “perfurar” as membranas do óvulo por ocasião da fecundação.

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III. Formação da lamela média em células vegetais: estrutura composta basicamente por substâncias pécticas que se situa entre as paredes de células adjacentes. Dessa forma, na divisão das células vegetais, o complexo de Golgi entra em intensa atividade, formando materiais que se acumulam em vesículas que são, posteriormente, depositadas entre os dois núcleos recém-formados, alinhando-se para constituir a nova parede celular que irá separar as células filhas. Lembramos que as vesículas alinhadas na nova parede são denominadas fragmoplasto.

IV. Formação do lisossomo: a partir do complexo golgiense, formam-se os lisossomos, vesículas repletas de enzimas digestivas, que atuam na digestão intracelular.

V.  Glicolização de proteínas e lipídios: no interior do complexo de Golgi, os glicídios se associam a determinadas proteínas e a certos lipídios formando, respectivamente, glicoproteínas e glicolipídios que integram as membranas celulares.

Admite-se, ainda, que o complexo golgiense seja responsável por alguns processos pós-traducionais, tais como adicionar sinalizadores às proteínas, que as direcionam para os locais da célula onde atuarão.

Relação entre o complexo de Golgi e o retículo endoplasmático rugoso: a figura abaixo mostra o fluxo de material do retículo endoplasmático rugoso para o complexo de Golgi. Percebe-se que vesículas de secreção oriundas do retículo rugoso fundem-se à face cis do complexo golgiense e que, da face trans, brotam vesículas, como os grãos de zimógenos (vesículas repletas de proenzimas, proteínas com pouca ou nenhuma atividade enzimática) que são secretados, por exocitose, através da plasmalema. Essa relação é uma evidência de que membranas lipoproteicas podem ser transferidas, dentro da célula, de um organoide membranoso para outro.

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