Publicado por: Djalma Santos | 18 de agosto de 2016

CADEIA ALIMENTAR

A cadeia alimentar (cadeia trófica) é um processo de transferência de matéria e energia, contidas nos alimentos, desde os produtores até os decompositores, passando, ou não, pelos consumidores. Assim sendo, a referida transferência se fecha com o retorno dos nutrientes aos produtores, possibilitado pelos decompositores, que transformam a matéria orgânica, contida nos cadáveres e nos excrementos, em compostos mais simples. É, em última análise, uma sequência de organismos interligados por relações alimentícias, cujo sentido do alimento é sempre indicado por setas (figura abaixo). Ao longo da cadeia, o ato de comer e ser comido se repete (sequência do “come-come”). A cadeia trófica envolve, via de regra, produtores, consumidores (primários, secundário, terciários, etc.) e decompositores (figura a seguir). Os produtores, entretanto, podem morrer sem serem comidos pelos consumidores, sendo, portanto, atacados diretamente pelos decompositores. Dessa forma, os únicos elos indispensáveis na manutenção da cadeia são os produtores e os decompositores. Em face de, frequentemente, cada organismo se nutrir de mais de um tipo de animais ou plantas, as relações alimentares (também conhecidas por relações tróficas) tornam-se mais complexas, dando origem a redes ou  teiias alimentares, que veremos mais adiante, em que as diferentes cadeias alimentares se inter-relacionam. Ao longo da cadeia alimentar, alguns subprodutos das indústrias químicas (chumbo, mercúrio, etc.) e de moléculas sintéticas (detergentes, plásticos, inseticidas, etc.), não sendo biodegradáveis, vão aos poucos se acumulando nos seres vivos, à medica que os níveis tróficos progridem. Como consequência desse fenômeno, conhecido como magnificação trófica ou bioacumulação, os seres dos últimos níveis tendem a absorver elevadas concentrações dessas substâncias, que lhes prejudica a saúde. Nos seres humanos, por exemplo, o acúmulo dessas substâncias provoca diversas doenças como câncer, esterilidade e danos aos sistemas nervoso e muscular.

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I. PRODUTORES (AUTÓTROFOS)

Primeiros componentes da cadeia alimentar, eles são responsáveis pela captação da energia luminosa, no caso dos organismos fotossintetizantes, ou da energia química, em se tratando de seres quimiossintetizantes, que a utilizam para a elaboração de substâncias orgânicas a partir de inorgânicas (simples e pobres em energia). Dessa forma, os produtores (plantas verdes, algas e bactérias autotróficas), que não se alimentam de outros seres vivos, são capazes de elaborar seu próprio alimento, bem como produzir nutrientes para outros seres vivos, conhecidos como consumidores. Por serem a base de toda biodiversidade da terra (figura abaixo), são também conhecidos como produtores primários. Os principais produtores são os organismos fotossintetizantes, que produzem moléculas orgânicas a partir de H2O e CO2, na presença de energia luminosa e clorofila. Dessa forma, graças à fotossíntese, a energia luminosa é transformada em energia química, que é armazenada nos compostos orgânicos. Parte desses compostos é utilizada pelos próprios produtores, como componentes estruturais na construção do seu corpo. Outra parte, eles utilizam como combustível na respiração celular, que libera energia para a realização de seus processos vitais. Na respiração celular ocorre, também, liberação de energia na forma de calor, que é dissipada para o ambiente e não reutilizada. Neste contexto, apenas cerca de 10% da matéria orgânica produzida, podem ser utilizadas pelos animais herbívoros, que constituem o segundo nível da cadeia alimentar. Os autótrofos mais comuns nas florestas são as árvores. Nos campos predominam as gramíneas. Nos ecossistemas aquáticos, por seu turno, as algas, constituintes do fitoplâncton (plâncton fotossintetizante), que representam os produtores primários, são os mais abundantes.

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II. CONSUMIDORES (HETERÓTROFOS)

São seres que se situam entre os produtores e os decompositores, alimentando-se de outros organismos e utilizando, portanto, a energia armazenada nas moléculas orgânicas elaboradas pelos produtores. Não sendo capazes de produzir seu próprio alimento, eles utilizam, direta ou indiretamente, as moléculas orgânicas fabricadas pelos autótrofos. De acordo com a sua posição, em relação aos produtores, são classificados como primários ou de primeira ordem, secundários ou de segunda ordem, terciários ou de terceira ordem, etc., como vimos acima. Os primários se nutrem diretamente dos produtores, caso dos herbívoros, que se alimentam de plantas. Os secundários se nutrem dos herbívoros e os terciários se alimentam dos consumidores secundários, e assim sucessivamente. Nos sistemas aquáticos, os consumidores primários, são, via de regra, os constituintes do zooplâncton (plâncton não fotossintetizante), representados, principalmente, por protozoários, moluscos, oligoquetas, vermes, pequenos crustáceos (copépodos e cladóceros) e larvas de diferentes animais. O zooplâncton, por sua vez, serve de alimento para peixes, que, no caso, são classificados como consumidores secundários e, assim, sucessivamente.

III. DECOMPOSITORES (HETERÓTROFOS)

Os decompositores, representados, principalmente por algumas bactérias e alguns fungos, são heterótrofos que se alimentam de matéria morta e de excrementos, oriundos de todos os níveis tróficos. Assim sendo, eles degradam (decompõem) tanto produtores como consumidores mortos (figura a seguir), convertendo a matéria orgânica contida nos cadáveres e excrementos em matéria inorgânica (sais minerais, gás carbônico, etc.), para obtenção de energia, fechando o ciclo de utilização da matéria. Eles liberam, portanto, para o meio ambiente minerais e outras substâncias que são reaproveitadas pelos produtores, para produção de substâncias orgânicas, dando continuidade ao ciclo. O seu papel nos ecossistemas é muito importante, uma vez que transformam as substâncias orgânicas, de que se alimentam, em substâncias minerais, tendo, portanto, função contrária ao dos produtores. Na ausência desses organismos, responsáveis pela reciclagem da matéria, os seres vivos ficariam imersos em seus próprios resíduos, tornando inviável a vida no nosso planeta. Eles são, em verdade, um tipo especial de consumidores, haja vista que também consomem matéria orgânica, porém realizando sua degradação, processo fundamental na reciclagem de matéria.

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NÍVEIS TRÓFICOS (NÍVEIS DE ALIMENTAÇÃO)

Conjunto de todos os seres vivos de um ecossistema com necessidades alimentares semelhantes, quanto à fonte principal. Assim sendo, em cada nível existe um grupo de organismo com as mesmas, ou semelhantes, características alimentares. Representam, em última análise, a ordem em que as cadeias alimentares são organizadas. Via de regra, como vimos acima, a cadeia trófica envolve, produtores, consumidores e decompositores, que estão presentes na maioria dos ecossistemas. Neste contexto, os produtores [seres autótrofos (organismos capazes de elaborar seu próprio alimento)] formam o primeiro nível trófico ou alimentar. Eles são a única fonte de energia dos ecossistemas e todos os seres vivos dependem dessa energia para produzir as substâncias necessárias à manutenção da vida e à reprodução. Os herbívoros, denominados consumidores primários, que se alimentam diretamente dos produtores, constituem o segundo nível trófico. Os carnívoros, que se alimentam dos herbívoros, são consumidores secundário, e constituem o terceiro nível trófico. Os carnívoros que se alimentam de outros carnívoros formam o quarto nível trófico, e assim sucessivamente (figura abaixo).

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Mesmo raciocínio pode ser feito para uma cadeia alimentar marinha (figura a seguir), na qual, como vimos acima, o fitoplâncton (plâncton fotossintetizante) representa o produtor primário e ocupa o primeiro nível trófico.

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Os decompositores, que, como abordamos acima, nutrem-se de matéria orgânica contida nos corpos de outros organismos, finalizam a cadeia alimentar (figura abaixo).

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Com base no exposto, podemos concluir que os decompositores podem ocupar qualquer nível trófico, exceto o primeiro, que sempre é ocupado pelos produtores (tabela a seguir).

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Afora os seres que constituem um determinado nível alimentar, há outros dotados de hábitos alimentares menos especializados, podendo, portanto, ocupar diferentes níveis. É o que ocorre com os onívoros, como os seres humanos, por exemplo, que apresentam a capacidade de se alimentar tanto de plantas, atuando como herbívoro, como de carnívoros.

Nos ecossistemas, o número de níveis tróficos é limitado pela disponibilidade de energia para o nível seguinte. Nos mais complexos, o número máximo de níveis tróficos é, em geral, cinco, sendo esse número menor nos ecossistemas mais simples. Quanto mais curta for a cadeia, ou seja, quanto mais próximo estiver o organismo do início da cadeia, tanto maior será a energia disponível susceptível de ser convertida em biomassa.

FLUXO DE ENERGIA NA CADEIA ALIMENTAR

O fluxo de energia na cadeia alimentar é unidirecional (processo acíclico), ou seja, não é reciclada, não sendo, portanto, reaproveitada. Esse fluxo tem início com a energia, que é captada, tipicamente, pelos produtores fotossintetizantes que a utiliza na elaboração de substâncias orgânicas. Em seguida a energia flui para os consumidores (primários, secundário, terciário, etc.), como mostra a figura abaixo, e destes para os decompositores.

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A cada nível trófico, parte da energia que entrou na cadeia é utilizada na realização de trabalho e parte é dissipada na forma de calor (figura a seguir). Assim sendo, a quantidade de energia contida em certo nível trófico é sempre maior que a que pode ser transferida para o nível seguinte. Dessa forma, o conteúdo de energia vai diminuindo a cada transferência de um ser para outro, diminuindo, portanto, ao longo da cadeia.

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O aproveitamento de energia, que passa de um nível para outro, é, em média, cerca de um décimo da energia disponível no nível trófico anterior (esquema abaixo). Por esse motivo, dificilmente encontram-se sequências com mais de cinco elos. Desse modo, quanto menor for a cadeia alimentar, maior será a quantidade de energia disponível para os níveis mais elevados. A quantidade de energia remanescente no final de uma cadeia mais longa seria tão pequena que poucos organismos poderiam ser sustentados por ela, inviabilizando sua subsistência. Neste contexto, a quantidade de energia disponível para um carnívoro que devora uma capivara, por exemplo, é menor do que aquela que a capivara obteve comendo o capim, pois grande parte é perdida na forma de fezes, calor e restos outros não utilizados.

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FLUXO DA MATÉRIA NA CADEIA ALIMENTAR

A matéria passa pelos diversos componentes da comunidade e é devolvida ao meio, sob forma simples, graças à ação, principalmente, dos decompositor, sendo, portanto, reciclada. Enquanto o fluxo de energia é acíclico (unidirecional), como vimos acima, o fluxo da matéria é cíclico. Ao contrário da energia, a matéria é reciclada, haja vista que as atividades dos seres vivos ao longo da cadeia alimentar geram resíduos que podem ser reaproveitados pelos produtores.

TEIA ALIMENTAR (REDE ALIMENTAR)

É o conjunto de várias cadeias alimentares que se relacionam, formando uma rede complexa de transferência de matéria e energia (figura a seguir). Interagindo, num ecossistema, esse conjunto evidencia suas relações alimentícias. Na teia alimentar está representado o máximo de relações tróficas existentes entre os diversos organismos do ecossistema. Nela, a posição de alguns consumidores pode variar em função da cadeia alimentar que eles integram. Dessa forma, vários indivíduos podem pertencer ao mesmo nível trófico, bem como, um mesmo organismo pode ocupar vários níveis de alimentação. Ao comer uma maçã, por exemplo, o homem atua como consumidor primário (herbívoro). Ao comer um bife, por outro lado, ele atua como consumidor secundário, haja vista que o boi, que come capim, é um consumidor primário. Muitos outros animais também apresentam alimentação variada. Assim sendo, um organismo pode se alimentar de diferentes seres vivos, bem como servir de alimento para diversos outros. Quanto maior for a teia alimentar, mais estável será o ecossistema. A cadeia alimentar é, em verdade, um modelo teórico utilizado no estudo do fluxo de energia e matéria nos ecossistemas. Na prática, entretanto, os organismos fazem parte de diferentes cadeias que se interconectam, formando as redes alimentares. Neste contexto, a cadeia alimentar é uma sequência linear que indica qual ser vivo serve de alimento para outro, enquanto a teia, conjunto de cadeias alimentares, é a representação mais fiel do que ocorre na natureza.

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Responses

  1. Obrigada, mestre.
    Seu blog é mto útil e bem organizado!


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